Num minuto é amor, no minuto seguinte é uma árdua batalha. Quando nos apaixonamos, começamos sempre da estaca zero, pois cada amor é sempre completamente distinto do anterior. Voltamos novamente a sentir aquele ardor saudável dentro do nosso ventre, o nosso coração a bombear incessantemente e revolto nos dias de tempestade, e ainda o nosso pensamento a andar tantas vezes por entre as nuvens do nosso céu, onde não encontra um limite, tocando em distintos mundos, tudo isto acaricia-nos a alma e gera um certo contentamento dentro de nós. Ultimamente tenho reflectido um tanto ou quanto sobre o meu percurso até então, onde encaixam belamente sentimentos como o amor, muita esperança e coragem em enfrentar o meu quotidiano, para que mesmo exausta chegue ao final de cada dia sabendo que não estou sozinha. Volto a rever-me num role de retratos, contudo o que diz-me praticamente tudo é o meu íntimo, que contem aquilo que fui e sou. Tenho andado continuamente a olhar para o pretérito e neste mesmíssimo momento tomo consciência que não é algo sadio, constitui uma imensa fonte de aprendizagem sim e ainda conseguiu levar-me a um cume demasiadamente importante, se fosse só por estas razões este olhar, não haveria motivo para esta análise. Contudo, ao alimentar o desejo de unir esforços para possuir um presente idêntico, é uma quimera e já me convenci que nada será igual. Perdi tempo sim, fui arrastada por esta possante corrente de pensamentos que não me levou a nenhum porto, mas ensinou-me uma lição e a realidade é que nós estamos constantemente a aprender. Quanto ao futuro, sou eu que o estou e vou construir, porque acredito que nada ocorre por acaso, qualquer coisa que seja ou aconteça tem alguma razão, mesmo que à partida se desconheça. Somos nós, com as nossas vivências e aprendizagem que vamos construindo aquilo que somos e seremos.

